“Nasce boneca, rostinho de porcelana, corpinho de pano. Da boneca, o pano vai se desgastando, rasgando, a porcelana racha, quebra a cara. Tenta se esconder achando que fuga é proteção, e de repente: Cadê a boneca que tava aqui? Fica sem graça ao perceber que não perde a graça trocando porcelana e pano por carne e osso, e aí já é tarde demais. Virou gente, e então fica tudo mais complexo, as coisas saem de controle. Aí diz uma coisa, repete, diz uma coisa, e nós aqui, vendo outra coisa. Contradição. Confusão. Como cantou Cazuza: Tuas ideias não correspondem aos fatos! E essa confusão grita aos olhos do público. Quem é você? Você sabe? O que você deseja? O que você faria se pudesse escolher, você sabe?
“Eu costumo escrever o que não tenho coragem de falar.
“Por mais firme que aparento estar, eu sinto a falta de alguém, sinto a falta de pessoas, de contato. O tempo passa e essa falta nos faz ser mais isolados, com medo de socialização, de expressão, de ação. Dói, corrói, destrói, mas ninguém repara, só quem vive isso percebe; é algo mais interno que externo, mas se reflete em atitudes que com o tempo todos percebem, mas não comentam. É necessário sair do casulo, pois esse casulo vira uma camisa de força, e nos faz mais loucos que somos. Por que isso comigo? Não fiz nada para que isso acontecesse, mas se está acontecendo eu tenho que me adaptar. Admiro as pessoas que encaram desafios no objetivo de ir até o final; e eu desistindo sem ao menos começar… Existe uma palavra para isso… Frustrante. Vida que passa num instante e nos prendemos a troco de quê? De sofrer? Isso é viver? É agonizar, mas a vida nos prova, e essa prova está complicada demais. Acho que não estudei o suficiente para passar por ela. Sem metáforas, minhas saudades são o único bom motivo de estar deprimido, mas não me lembrem que esse tempo não volta mais, pois esquecerei de sorrir, e eu preciso sorrir, sentir, ir a vida que está à minha espera mas eu estou adiando há tempos.
“E a gente ria sem parar, pensava em se casar…